Assim que chegaram ao Recife nesta quinta-feira à tarde, os
atletas do Sport comentaram as declarações dadas pelo volante de Marquinhos
Paraná, que criticou o esquema montado por Vágner Mancini. Na avaliação do
atacante Felipe Azevedo, as opiniões do ex-companheiro não condizem com a
realidade.
- É uma opinião dele e temos que respeitar. Mas não acho que
o Sport jogue muito defensivo. Tanto que sempre atuamos com três atacantes.
Então, não vejo dessa forma. Também não acredito que seremos rebaixados, não é
meu pensamento e nem o pensamento do grupo.
Um dos líderes do grupo, o goleiro Magrão também questionou
o posicionamento de Marquinhos Paraná. De acordo com o goleiro, o Sport está
tentando jogar de acordo com a tradição do clube.
- Acho complicado falar disso, porque não tive a
oportunidade de ver direito. Mas é um jogador que está fora do Sport. Desejo
toda sorte para ele, em outro lugar, mas o nosso pensamento é continuar
evoluindo e temos tudo para fazer um bom trabalho. Agora, o estilo do Sport é
esse mesmo. Tem que ter garra, ser aguerrido e dedicado. Esse estilo precisa
continuar.
Tomando muito cuidado para não gerar mais polêmicas, o
zagueiro Bruno Aguiar também opinou sobre as declarações de Marquinhos Paraná.
Na avaliação do atleta, o Sport ainda está em processo de evolução.
- Só posso falar que o Sport não irá brigar apenas para não
cair. Na verdade, nós estamos encontrando uma forma e Mancini está buscando a
formação ideal. Com isso, certamente nós iremos conseguir voos mais altos.
Três dias após pedir rescisão de contrato com o Sport, o
volante Marquinhos Paraná revelou quais os motivos o levaram a solicitar seu
afastamento do clube. Em entrevista a repórter Sabrina Rocha, da Rede Globo
Nordeste, o atleta criticou o esquema adotado pelo técnico Vágner Mancini e
afirmou que não tinha mais motivação em atuar da maneira como o Rubro-negro é
colocado em campo.
- Sair do Sport foi uma decisão minha. Já vinha pensando em
fazer isso há muito tempo, devido a algumas coisas que ocorreram,
principalmente dentro de campo. Coisas que não ocorriam no tempo do Cruzeiro.
Lá, ninguém tinha medo de jogar. No Sport vi que as coisas estavam difíceis.
Principalmente jogando em casa, a equipe se posta de uma forma que não acho
correto. Está em uma competição difícil e só jogar para se defender e, mesmo
quando pega a bola, nunca joga. Não estava legal para mim, achei melhor sair.
Mostrando firmeza nas declarações, o volante atribuiu a
postura do time a uma determinação do técnico Vágner Mancini que, segundo
Marquinhos Paraná, cobrava que os jogadores mantivessem uma posicionamente
defensivo - independentemente do adversário.
- O comportamento da equipe eu não acho correto. Claro que
isso é uma orientação, não parte dos jogadores. A gente recebe uma orientação
para ser cumprida e temos que cumprir. Caso contrário, saímos. Espero que o
Sport melhore e possa jogar. Não entre em campo só para se defender. O time que
só se defende, uma hora leva o gol e foi isso que ocorreu nos últimos jogos.
Foto:Wagner Damásio
Queda de rendimento e
cobrança da torcida
Mesmo sabendo que seu futebol não vinha agradando aos
torcedores, Marquinhos Paraná fez questão de afirmar que sua saída do clube não
está relacionada às criticas que vinha recebendo. De acordo com o jogador, seu
futebol foi muito prejudicado pelo esquema de jogo.
- Posso não ter rendido o esperado, mas temos que ver a
forma como Sport estava jogando e com quem estávamos jogando. Sou um jogador
que gosta de jogar. Marco, mas gosto de sair para o jogo. Fiquei muito triste
por isso (esquema do time) e por outras situações que é melhor deixar quieto.
O volante também desmentiu que a decisão de deixar o clube
tenha sido gerada pela pressão que vinha sofrendo. Seguro, Marquinhos Paraná
destacou o seu currículo para enfatizar sua opinião.
- Publicaram uma matéria que falava que estava saindo do
Sport por pressão. Tenho 35 anos e isso nunca ocorreu. Das equipes que atuei, o
maior foi o Cruzeiro, onde passei quatro anos e disputei vários títulos. Falar
que estou deixando o Sport por pressão é ridículo. Tive coragem de pedir para
sair, é melhor fazer isso do que permanecer em um lugar onde não dá para
trabalhar.
Lamentação e alerta
Bastante chateado com
a postura que o Sport está adotando no Brasileirão, Marquinhos Paraná foi
taxativo ao comentar sobra qual será o destino do clube na competição. Na
avaliação do jogar, uma mudança de filosofia é imprescindível para que o
Rubro-negro não sofra no futuro.
- Tinha algum tempo que eu estava notando que existia algo
errado. Você jogar em uma equipe que acabou de subir e ficar jogando em um
esquema desses é complicado. Se continuar assim, o destino será a Série B. Se não
mudar o jeito de jogar, vai acontecer isso.
Sem motivos para explicações
Ainda sem ter assinado sua rescisão com o Sport, Marquinhos
Paraná garantiu que o fato de ter ido ao clube no momento em que a maioria dos
jogadores estão em Campinas, onde o Leão empatou com a Ponte Preta, não foi uma
estratégia para não se deparar com seus antigos companheiros. Segundo o atleta,
a ordem de evitar o grupo veio da direção.
- Vim aqui para buscar meu material e alguns pertences. Mas
não tenho problemas em falar com ninguém. Mas isso (ir ao clube quando os
jogadores não estão) partiu do Cícero. Ele falou que poderia assinar minha
rescisão na quarta ou quinta. Se ele prefere que eu venha quando não tem
ninguém, eu venho.
Apesar de afirmar que não teria problemas em conversar com o
restante do grupo, o atleta disse que não via necessidade em explicar ao
treinador os motivos que o fizeram deixar o Sport.
- Não falei com Mancini e não acho que precise. Tive algumas
propostas após sair do Sport e não sei ainda o que farei.