A derrota por 2 a 1 para a Chapecoense no primeiro turno ainda não foi esquecida pelo meio-campo Lucas Lima. Prestes a reencontrar o time catarinense, o jogador disse que o Sport não pode oscilar durante a partida do próximo sábado para não repetir o insucesso da Ilha do Retiro.
- Temos que jogar com inteligência contra a Chapecoense. Eles estão em grande fase e já tivemos a lição no primeiro jogo. Estávamos ganhando até o final do jogo e acabamos derrotados. Não podemos oscilar porque é um jogo difícil. Sabemos da qualidade deles, mas temos que sair com os três pontos.
Ainda sem saber qual será o esquema adotado pelo técnico Geninho, Lucas Lima disse que o Sport não pode dar espaços para os contra-ataques do adversário.
- É difícil falar sobre isso (esquema), mas não podemos correr tantos riscos. Não podemos nos atirar, mas temos qualidades também. Se não levarmos gols, certamente iremos criar algumas chances de gol no ataque.
Apesar do revés no primeiro turno, o jogador mostrou confiança em devolver a derrota sofrida na Ilha do Retiro.
- Temos condições de vencer, sim. Sabemos que eles estão em grande fase, mas temos feito bons jogos fora de casa e temos qualidade. Será difícil, mas vamos buscar os três pontos.
A vitória do Sport parecia certa até os 42 minutos do segundo tempo. Em dois lances, porém, a euforia virou frustração. Duas falhas individuais. Renan Teixeira e Pereira. Dois gols da Chapecoense. A alegria passou para o outro lado. A derrota por 2 a 1 em plena Ilha do Retiro, neste sábado, não estava nos planos do Leão. O que parecia ruim após a goleada sofrida para o América-MG ficou pior. O cenário positivo mudou.
Desde o início do jogo, ficou claro que não seria uma partida fácil para o Sport. A Chapecoense justificou a sua boa colocação na tabela mostrando suas qualidades. É um time que foca na marcação forte, até mesmo individual em alguns casos, com um bom preparo físico e um contra-ataque perigoso. Embora soubessem do estilo de jogo do adversário, os rubro-negros tiveram dificuldade para superá-lo.
O Sport tinha mais posse de bola, mas não conseguia encontrar uma maneira de furar o bloqueio da Chapecoense. Os catarinenses congestionavam o meio, visto que o Leão tinha claras dificuldades para jogar pelos lados. Fábio Bahia, improvisado, mal passava da linha do meio campo. Pery, estreando, demorou a superar a timidez e ainda não contou com a confiança dos companheiros, que em alguns momentos sequer olhavam para o lado esquerdo.
Foi um primeiro tempo equilibrado, muito pegado e com chances escassas para os dois lados. O Sport ia bem quando Lucas Lima ou Marcos Aurélio tinham a bola. Os dois, no entanto, abusavam da individualidade algumas vezes, quando a melhor saída talvez fosse as jogadas em velocidade, para superar a forte marcação adversária. A Chapecoense teve suas melhores oportunidades nos contra-ataques rápidos quase sempre aproveitando os erros de passe rubro-negros.
O segundo tempo tinha tudo para ser tão encardido quanto o primeiro. Mas no primeiro lance ofensivo da etapa, Lucas Lima foi derrubado na quina esquerda da entrada da área. Falta. Marcos Aurélio caprichou na cobrança a trouxe o alívio para o Sport: 1 a 0 e mais tranquilidade para jogar, sem a pressão de ter que superar a retranca adversária. Agora a Chapecoense teria que sair, tornando a partida menos truncada.
Foto: Teresa Maia
E foi exatamente o que aconteceu. Se é um time que se destaca pelo poder de marcação, quando tem que sair para o jogo a Chapecoense não mostrou tanta qualidade assim. Jogando mais solto, o Sport continuou com o controle da partida, embora sem conseguir, a exemplo do que acontecia no primeiro tempo, penetrar na defesa adversária. Na tentativa de corrigir isso, Martelotte colocou Roger, para ter uma referência no meio da zaga catarinense.
Na base da pressão, a Chapecoense tentou o empate no fim da partida. Agora, era a hora do Sport se defender e se posicionar para sair no contra-ataque. A vitória parecia ser uma questão de se segurar atrás e esperar o tempo passar. Mas o Leão arriscou demais. Aos 42, Renan errou um passe bobo no meio campo que ocasionou o contragolpe do adversário. Na sequência do lance, Soares foi derrubado na área por Pereira: pênalti. Bruno Rangel cobrou e empatou o jogo.
O Sport havia recuado demais e o gol de empate havia sido um castigo. Mas o pior veio em seguida. Nova descida da Chapecoense e após cruzamento na área, Pereira falha incrivelmente. Bruno Rangel domina e toca por cima de Magrão. Era a virada. Em dois lances, a vitória que parecia certa fugiu das mãos rubro-negras. Frustração na Ilha do Retiro.
Ficha do jogo
Sport
Sport: Magrão; Fábio Bahia, Pereira, Tobi e Pery; Anderson Pedra, Rithely, Lucas Lima (Renan Teixeira) e Camilo; Marcos Aurélio e Felipe Azevedo (Roger). Técnico: Marcelo Martelotte
Chapecoense
Chapecoense: Nivaldo; Glaydson, Rafael Lima (André Paulino), Dão e Anderson Pico (Tiago Luís; Wanderson, Augusto, Paulinho e Athos (Soares); Fabinhos Alves e Bruno Rangel. Técnico: Gilmar Dal Pozzo
Estádio: Ilha do Retiro. Árbitro: Jailson Macedo Freitas (BA). Assistentes: Janete Mara Arcanjo (MG) e Carlos Jorge (AL). Gols: Marcos Aurélio (1 min do 2°T) e Bruno Rangel (44 min do 2°T e 47 min do 2°T). Cartões amarelos: Dão, Rafael Lima, André Paulino (CH), Fábio Bahia, Anderson Pedra, Tobi, Pereira (S). Público: 19.419. Renda: R$ 284.920,00.
O técnico da Chapecoense, Gilmar Del Pozzo, conhece muito bem a força da Ilha do Retiro. Em 2006, atuando como goleiro do Santa Cruz, o hoje treinador acabou perdendo a final do Campeonato Pernambucano para o Sport na decisão por pênaltis. Chegou até a fazer um gol na disputa de penalidades. Mas amargou uma derrota do Leão. Talvez por isso ele não poupou elogios à equipe rubro-negra, adversário deste sábado. Para Gilmar, o Sport, ao lado do Palmeiras, é o principal candidato ao título da Série B.
"O Sport é, ao lado do Palmeiras, o maior candidato ao título, e consequentemente ao acesso. São duas equipes que se distanciam das demais em termos de qualidade de elenco e de tradição. Por isso estamos esperando um jogo muito difícil. Independentemente do último resultado (derrota por 5 a 0), o Sport sempre será forte. E da mesma forma que nos temos convicção do nosso trabalho, acredito que o Marcelo (Martelotte) não perdeu as suas por conta da última derrota", afirmou o treinador da Chapecoense.
Para o duelo contra os pernambucanos, Gilmar confirmou que irá repetir a mesma formação que iniciou a partida contra o Ceará, na última terça-feira, quando os catarinenses perderam por 3 a 1, de virada. "Quando estavamos vencendo não éramos o melhor time do mundo. E não é porque perdemos um jogo, que viramos o pior. Tenho que dar moral a esse time, que vem atuando junto desde o Estadual e ficou nove jogos sem perder", encerrou.
Assim, a Chapecoense deve entrar em campo contra o Sport com a seguinte formação: Nivaldo; Glaydson, Rafael Lima, Dão e Anderson Pico; Wanderson, Augusto, Paulinho Dias e Athos; Fabinho Alves e Bruno Rangel.